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Naomi Munakata

São Paulo / SP - Brasil
53 anos, musicista

Meu pai viu “Deus no fundo do mar”


Meus pais nasceram na ilha de Formosa, hoje Taiwan, durante a época do domínio japonês. Meu pai, inclusive, lutou pela Marinha japonesa na Segunda Guerra Mundial. Ele era muito jovem, devia ter uns 20 anos, e trabalhava em um submarino. Tanto é que uma vez ele escreveu: “Encontrei Deus no fundo do mar”. Quando a guerra acabou, ele foi para o Japão estudar teologia e acabou se tornando pastor da Igreja Protestante.

Pouco depois de se casar com a minhã mãe, ele foi enviado como missionário para Matsusaki, uma cidade praiana perto de Tóquio, onde meu irmão mais velho nasceu. Depois eles foram para Hiroshima, onde eu nasci. E, quando eu tinha 2 anos, resolveram vir para o Brasil. Meu pai havia sido convidado para ser pastor numa igreja da colônia japonesa em São Paulo. Chamava-se Igreja Sul-Americana. Nosso caso era um pouco diferente dos outros imigrantes, que vieram sem saber qual era o rumo. Nós já tínhamos até casa onde morar.

Cheguei ao Brasil em dezembro de 1957. Foram 60 dias de viagem. Viemos pela Índia e pela costa africana. Parece que foi uma viagem meio traumática, porque o navio era pequeno e balançava muito. O nome era “Chisadane”, que em japonês quer dizer “barco pequeno”. Segundo me contaram, meu pai chegou a montar um coro dentro do navio. Ele havia estudado música também, além de teologia, e no Japão ele liderava muitos grupos vocais da igreja. Em São Paulo, algumas pessoas que estavam no navio formaram um coro, e durante 15 anos meu pai regeu esse coro da colônia.

Depoimento ao jornalista Xavier Bartaburu
Fotos: Carlos Villalba e arquivo pessoal de Naomi Munakata


Enviada em: 05/03/2008 | Última modificação: 05/03/2008
 
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Comentários

  1. tatsue @ 9 Mar, 2008 : 20:03
    Naomi, adorei a sua história. Vc. é uma batalhadora, cheia de garra. Eu tbem penso como vc, a respeito do Brasil e Japão. Por coincidência, tbem sou de Hiroshima, chegamos ao Brasil em abril de l959, no mesmo navio "Chisadane".

  2. Toshio Icizuca @ 29 Abr, 2008 : 00:43
    Conheci seu pai, pastor Munakata, em 1957, quando frequentava a Igreja Sulamericana, em São Paulo. Sempre desconfiei que você era filha do pastor. Hoje, sou engenheiro aposentado e moro em Piracicaba. Sou articulista do Jornal de Piracicaba e outros jornais e revistas. Também tenho site publicado, pois meu filho é o produtor deste site.Meus parabens pelo seu trabalho à frente da sinfônica!

  3. rachel @ 30 Ago, 2008 : 21:21
    assisti você agora mesmo no Masters. Adorei vê-la expressar-se. Adoro os japoneses. Seus olhinhos pequenos , seus cabelos pretos. Tudo que fazem, fazem bem. E você não seria exceção. Você é maravilhosa. Eu sou clara, olhos azul-escuro, nascida em Florianópolis/SC, tendo morado muitos anos em Porto Alegre onde me formei, infelizmente não em música. Amo a música. Toco violão desde criança. estudei quatro anos de piano. Mas o ciolão gritou mais alto no meu coração. Vivo e transpiro musica Naomi. E gostaria de ter sido uma arranjadora. Mas, achei você. Não fique tão só como disse. Não fique com a solidão. Quem sabe, podemos unir nossos silêncios. E, por falar em silêncios, suas mãos falam. Retorne, please! rachelecc@ibest.com.br

  4. Flávio Daruz @ 30 Ago, 2008 : 21:44
    As minhas experiências, como descrevi em minha página, foram mais ou menos o inverso das suas: um brasileiro que ajaponezou um pouquinho. Ainda sim, pude me identificar muito com algumas das coisas que você escreveu. Muito legal! Um abraço.

  5. fabio @ 19 Set, 2008 : 11:10
    como dizer em japoneis so vc mora no meu coração

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