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Carlos Akira Kato

São Paulo / SP - Brasil
42 anos, Adm. Empresas

Você já foi em uma festa em Bastos?


Acredito que Bastos - SP seja uma das mais pitorescas cidades onde a colonização japonêsa chegou. Minha cidade natal, distante 548 Kms da Capital, hoje tem mais de 6.022.000 habitantes. Se bem que se você tirar as galinhas, sobrem apenas 22.000 pessoas na cidade. É.. Bastos é a capital do ovo e as galinhas são muito importantes na história da cidade e precisam fazer parte desta contagem.

Mas como relatei, o sentido da palavra "pitoresca" é porque há várias razões que comprovam isso.

Uma cidade com 22.000 habitantes, tem em suas principais ruas, calçadas com pedras na forma de ovos. Também tem uma praça, chamada de Praça do Ovo, onde seus postes de iluminação são em formato de ovos, sem esquecer que todo o calçamento também é com pedras no formato de ovos. Na entrada da cidade, sua chegada é saudada por uma gigantesca galinha de pedra. Sem falar no museu da cidade, com tantas histórias da avicultura, sua principal atividade econômica e a sericicultura, criação de bicho-da-seda, a atração principal é a ossada de uma baleia e um canhão para pegá-las. Com pouco mais de 5.000 descendentes de japoneses, tem um belo campo de golfe que tem réplicas do Monte Fuji e do Pão-de-Açúcar.

Não é uma cidade pitoresca? Mas a razão principal que me leva a pensar nela, são as animadas festas na cidade. Regadas com uma boa cerveja quente e churrasco frio; não se assuste, é isso mesmo!! Os patriarcas das famílias (odityan), o prefeito e as autoridades fazem longos discursos de agradecimento e contam histórias do aniversariante desde que era menino de calças curtas e estilingues no pescoço, que acabam por ficar fria a carne e quente a cerveja, sem falar nas tradicionais guloseimas como o espetinho de mortadela, queijo e azeitonas num palito de dente e espetado num mamão verde, os kantens, deliciosas gelatinas japonesas, no doce de sagú, nos famosos yokan feitos pela Confeitaria Takahashi, os tsukemonos de uri, takuans e tantas outras mais.

Bastos também é conhecida por muitos como a cidade das moscas, pois a avicultura atrai muitas delas, seja pela ração misturada com água, vitaminas e farinhas de ossos, que vira um verdadeiro angú.

Nas festas, se você não tomar cuidado, ao abrir a boca para falar, pode acabar por engolir uma delas, sem falar as que acabam entrando nas tubaínas. Se você não olha direito, também pode engolir mais outras. Muitos dos visitantes na sua primeira viagem à Bastos, acabam tendo surpresas bastante desagradáveis nestas festas: "Me passa o kibe. Kibe? Aquilo não é kibe, é coxinha. E você prova que é com um simples abano que afugenta as moscas e aparece então a coxinha"....

Visite Bastos e comprove porque eu acredito que ela é uma das mais "pitorescas" cidades e não deixe de ir à uma festa de aniversário, embora hoje, as moscas já deixaram de ser incômodas, pois há um rigoroso controle biológico sobre elas, o resto é ir lá para conferir.


Enviada em: 02/05/2008 | Última modificação: 02/05/2008
 
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Comentários

  1. Sílvio Sano @ 8 Fev, 2008 : 10:25
    Parabéns, prezado Akira, por sua postura mesmo diante de um fato trágico para a família, mas muito relevante enquanto informação histórica, e que só vem a contribuir para um melhor direcionamento de qualquer grupamento humano. Embora, infelizmente, isso nem sempre venha ocorrer efetivamente. Mas sua postura é muito louvável e devia servir de exemplo ao governo japonês que insiste em esconder de sua história as atrocidades cometidas no passado contra povos asiáticos. Basta entender que tudo aquilo ocorreu em uma época advinda de uma formação milenar e militar, de um país que se "trancou" por mais de 2 séculos e, portanto, sua revelação serviria de exemplo para que no futuro não mais ocorresse. As armas, agora, são outras, é verdade, mas não as atitudes. O resultado até de batalhas intelectuais pode ser tão trágico quanto aquelas do passado.

  2. Carlos Akira @ 9 Fev, 2008 : 02:52
    Olá grande escritor Silvio San. Acredito que não fez relação do meu nome com a minha pessoa. Já nos encontramos muitas vezes nos eventos da comunidade japonêsa, principalmente nos tempos de JCI Brasil-Japão, onde tive a grande oportunidade de ser Presidente em 2002. Espero ter a oportunidade de conversar sobre este assunto com você. Pelo que tenho observado, tem acompanhado muito as matérias que estão surgindo dia-a-dia neste site. Eu estou achando isso tudo uma grande oportunidade de resgatarmos a nossa rica história dos 100 anos de imigração. Abraços,

  3. Sílvio Sano @ 9 Fev, 2008 : 13:05
    Prezado Akira. Na verdade, tinha comentado em casa que sua feição me era familiar, mas como já "quebrei a cara" com isso, já viu, né... E, já que se lembrou do "genkotsu", vou te contar o que recebia de minha mãe quando aprontava: "beliscão rotativo" (este termo inventei agora - rsrs). Ou seja, ela apenas dava-me um beliscão na nádega seguido de um "giro" rápido na mão. Bastava um. Ai! Até senti a dor, agora. Esperta ela, porque valia mais do que uma tremenda surra e, ainda por cima, não se cansava. Abraços. PS: 2ª, na JCI, posse 2008.

  4. Luci @ 25 Fev, 2008 : 10:20
    Carlos, um "Biba!" ao "seu chan-chan ovo" da Batian, qdo este ainda não havia sofrido mutação. Meu pai me preparava um "chan-ovo", que nada mais era que o ovo cru com shoyu, quebrado sobre um gohan quente. Se ele estivesse vivo, certamente não o faria nestes tempos de transgênicos, e se negaria a enriquecer a multinacional Monsanto! Muito obrigada pela visita. Abraços, Luci

  5. Renato Yassuda @ 3 Mar, 2008 : 08:01
    Prezado Kato-san; Parabéns por seus excelentes relatos. Agradeço também sua consideração em me enviar seu comentário em minha página. Fiquei muito honrado por ele. Lhe enviei uma mensagem onde faço um comentário mais extenso.Obrigado por compartilhar conosco seus excelentes relatos.

  6. Renato Yassuda @ 31 Mar, 2008 : 07:43
    Prezado Kato-san; Mais uma vez seus relatos são motivo de elogio. Gostei muito deste sobre o saquê. Assim como você, vim a apreciar melhor esta bebida de alguns anos para cá. Na verdade já o apreciava em algumas ocasiões, mas sem maiores conhecimentos a respeito. Devemos respeitar as formas adequadas de beber o saquê de acordo com a ocasião oportuna (quente ou frio).Congratulações.

  7. Carlos A. Kato @ 5 Abr, 2008 : 09:45
    Obrigado pela sua mensagem. Estarei enviandoa você um material interessante sobre sake, abraços, Carlos

  8. Sigueru Oscar Matsuda @ 13 Abr, 2008 : 21:52
    Caro Akira, creio que o Tchan Tchan ovo não é receita particular da sua familia, há até um tipo de concurso culinário em Tokyo, onde juntam-se amigos e há um campeonato da melhor receita do Gohan com ovo cru. Em casa, o Ditian(Por coincidência Kato porém ,de Bauru), após o ovo no Gohan, e mexido com shoyu, adicionava-se mortadela picadinha, por falta de ingredientes na época. E o natô com ovo? Bastos também tinha a fiação de seda BRATAC- Meu tio, Takati Kato, morou muito tempo nesta cidade.Att Oscar

  9. Carlos A. Kato @ 18 Abr, 2008 : 00:54
    Olá Oscar, como no relato da Luci Suzuki, eu também gostava de colocar ovo batido com molho shoyu por cima do gohan quente meio "papado", mas o tchan tchan ovo era feito caprichosamente pela minha avó. Esse era especial. Quanto à família Kato de Bastos, meu avó Yotaro Kato tinha uma fábrica de futon e depois uma fábrica de leques para brindes "utiwa". Não sei se tenho parentesco com o Sr. Kato que mencionou. Um grande abraço, Carlos

  10. Rita de Cássia Arruda @ 3 Mai, 2008 : 12:13
    Prezado Akira: Adorei ler seus depoimentos. Você, ao mesmo tempo em que consegue ser divertido - muito espirituoso mesmo - passa igualmente a seus leitores muita emoção ao falar de episódios tristes de sua vida; sem contudo ser amargo. Obrigada por dividir conosco suas memórias. Um abraço.

  11. Carlos A. Kato @ 3 Mai, 2008 : 16:26
    Olá Rita, obrigado pelos seus comentários. Vou te confessar que escrever neste site me faz muito feliz, pois enquanto vou escrevendo, não paro de rir, lembrando das coisas engraçadas e que fazem parte da cultura japonêsa. E o mais legal disso, é que outras pessoas também se divertem com tudo isso. É estimulante e sempre que tiver um pouco inspirado, vou tentar contar as muitas histórias que vivi na minha infância/adolescência na "pitoresca" cidade de Bastos - a Capital do Ovo e das Moscas. Abraços, Carlos

  12. Antonio Minoru Katayama @ 5 Mai, 2008 : 20:52
    Carlos, como voce sabe, tambem sou filho de granjeiro, só que de Guararapes. E quando voce escreveu sobre moscas, muitas moscas, uma infinidade de moscas com tamanha maestria, conduziu-me de volta à minha infancia... cercada de moscas! Um grande abraço.

  13. Carlos A. Kato @ 8 Mai, 2008 : 12:50
    Minoru-san, como você mesmo disse, também sou filho de granjeiro e vivenciei tudo isso. Seu depoimento ratifica a veracidade das minhas histórias das moscas. Por mais um pouco, acho que já poderia voar de tanto engolir moscas. Acho que também a nossa saúde é sempre boa por já engolirmos muito delas, ou seja, engolir moscas faz bem à saúde. hehehe. Abraços, Carlos

  14. Milton Shintaku @ 24 Jun, 2008 : 15:47
    Muito legal lembrar do Yokan da Confeitaria Takahashi, uma das mais saborosas lembranças de infância (apesar de não ser de Bastos, sou goiano) abraços, milton

  15. Carlos A. Kato @ 24 Jun, 2008 : 17:27
    Olá Milton Shintaku, obrigado por prestigiar o meu site. Pelo jeito, já passou por Bastos e saboreou esta delícia de chá yokan da Confeitaria Takahashi. Lembro de uma família Shintaku em Bastos, acho que o nome dele era Edson Shintaku, cujo apelido era "São Shintaku" de Edson. Eles tinham uma casa de baterias de carro. Um abraço, Carlos

  16. Milton Shintaku @ 25 Jun, 2008 : 14:37
    Edson é meu primo, mas eu sou da parte goiana da família. Ainda tem Shintako (assim mesmo não é erro de grafia, mas de cartório) e Shintakus ai em Bastos. Grande Abraço, milton

  17. Carlos A. Kato @ 26 Jun, 2008 : 15:59
    Legal, se encontrar com ele, mande um grande abraço. Sou conhecido lá em Bastos como Akirinha, filho do Katinho. Abraços, Carlos

  18. Carlos A. Kato @ 17 Ago, 2008 : 15:35
    Milton, encontrei o pessoal da sua família. Mandei abraços a todos.

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