Olá, faça o Login ou Cadastre-se

  Conte sua históriaRenzo Morishita › Minha história

Renzo Morishita

Campinas / SP - Brasil
45 anos, Médico

Nenhuma história enviada.

Comentários

  1. Sílvio Sano @ 4 Jan, 2008 : 12:20
    Apesar dessa sua revolta “explícita”, e justificada, Renzo deixa muito claro, ainda, uma vontade forte para entender a razão e, bem como, se mostra bastante aberto para aceitar “de volta”, de maneira harmônica, sua relação com a comunidade nikkei a partir, lógico, desse esclarecimento particular. Está disposto até a ir para o Japão para isso! Na verdade, ele revela as agruras que passaram muitos dos nossos ancestrais, desde, na verdade, da terra natal, a partir das propagandas enganosas” deflagradas naquele país para induzirem os cidadãos a partirem para o Brasil. O resultado aqui, para muitos, foi desastroso, levando alguns ao suicídio em vista da frustração infinita somada à impotência extrema. Sem contar os conflitos graves inter famílias, inter irmãos, etc. Mas não se pode generalizar. E não pretendo falar em capacidades de superação de uns mais que de outros (o próprio Renzo, com todas essas adversidades, se formou médico). O que acho é que, em virtudes das raízes culturais, que conhecemos bem, e da formação individual, devemos “dar um desconto” a certas posturas, em princípio, inaceitáveis. Eu também, ainda não concordo com muitas, por aí, mesmo de familiares, parentes e círculo de amigos... E quem não está na mesma situação? De minha parte, apenas procuro entendê-las enquanto levo a minha vida. Acho até que o Renzo, na verdade, também pretende assim (olha o sangue!!) ao se mostrar um “revoltado” (específico) e, ao mesmo tempo, “aberto e disposto” ao entendimento. Agora, a minha postura japonesa: “desculpe-me se fui inconveniente, caro Renzo!” Um forte abraço!

  2. Sílvio Sano @ 4 Jan, 2008 : 12:50
    Caro Renzo, quando escrevi o comentário acima, ainda não tinha lido a narrativa, “Índios e japoneses”. Adorei! Porque, eu mesmo, já escrevi, inclusive em seções de cartas do leitor, na grande mídia, sobre essas guerras inconseqüentes que alegam etnias e religiões como razões. A ciência já provou que judeus e árabes têm mesmo DNA, sem contar que a referência divina de ambas é a mesma: Abraão. Bem como, hutus e tutsis na África. E assim como acho que tb é na Quênia, hoje, onde ocorre centenas de mortes. Mas, parece que é preciso fomentar isso nesses lugares sob risco de se perder privilégios, em alguns casos, seculares! Né, não?

  3. Izabel Terumi Takata @ 17 Jan, 2008 : 23:04
    Caro Renzo, Li todo o seu texto e parece que, em muitas das passagens citadas,senti algo de muito semelhante com o que a minha familia passou, já que eu também, nasci e cresci pobre. Percebo por outro lado que, ainda hoje, existe muita revolta incrustada dentro de v. Pois eu digo pra v. que eu já parei pra pensar,pra questionar do porque disso, dessa discriminação. E sabe o que mais? Eu cheguei a conclusão de que, de certa forma, as coisas tinham que ser assim, exatamente da forma que aconteceram...que cada um age, de acordo com o que é ditado pela "sociedade" de cada época e essa "sociedade" pode ser a própria cidade onde v. está, pode ser o grupo onde v. foi colocado,pode ser a propria grande "familia" a que v. infelizmente faça parte...A gente costuma falar que nós devemos dançar de acordo com a música. Pois acredite, é a pura verdade. E isso meu caro Renzo, não depende de raça, de nada...depende só da gente e do meio que a gente está e as regras dessa "sociedade", ou seja, do meio em que v. está, naquele momento (época). A discriminação sempre vai existir, de uma forma ou outra e isto em qualquer lugar, por um motivo ou outro, independentemente das suas origens. Mas cabe a nós, procurar justamente dissipar essa discrinação, NÃO DISCRIMINANDO. Sim, porque, se somos discriminados e revidamos da mesma forma, a gente também passa a discriminar, não é mesmo? Mas, no momento em que, v. aceitar as pessoas exatamente como elas são, com seu "nariz empinado", com seu jeito "metido" de mostrar grandeza em tudo que faz, come, compra e tem...e tentar entender que essa criatura petulante e as vezes até insuportavel, é na verdade fruto de uma educação recebida em casa, no grupo ou do meio em que viveu e cresceu..., mas que, se jogado em outro grupo mais salutar, poderá até virar gente, v. vai acabar, com certeza, realmente aceitando essa criatura como uma pessoa amiga, do seu meio...Parece incrivel, mas isto é possivel sim...e viver dessa forma, não criticando os defeitos alheios, mas aceitando-os assim mesmo, sem discrimina-los de sua parte, acredite Renzo, viver fica bem mais fácil e agradavel. E agir assim, em hipotese alguma, vai significar humilhação ou submissão. Mas o importante é que, quando se aprende a conviver com as pessoas, aceitando cada um como elas são, com seus defeitos e qualidades, vai perceber aos poucos, que conviver com gente é agradavel, e ter a capacidade de não sentir "raiva" pelo comportamento alheio, é simplesmente maravilhoso.E agora que ja falei muito, vou repetir as palavras do Silviosam: "desculpe-se se fui inconveniente", mas acredite, o seu relato me comoveu porque a minha familia viveu esse mesmo filme...a diferença é que hoje, não guardo rancor de ninguém e agradeço a Deus por tudo que passamos, porque as dificuldades é que nos levaram pra frente e acredito, nos tornaram melhores, inclusive como pessoas. Felicidades.

  4. Luci Suzuki @ 20 Jan, 2008 : 10:49
    Caro Renzo, muito obrigada pela visita ao meu perfil. Aproveitando o seu nome italiano e inspirada pelo ambiente no qual vivo, cito um ditado italiano que diz: “Tutto il mondo è paese” (O mundo todo é um país), para confirmar que há culturas e hábitos diferentes que nos dintingüem, mas o gênero humano é apenas um. Com todos os seus vícios e virtudes. De tempos em tempos algumas civilizações prevalecem sobre outras – algumas com a força física, outras, através do lento processo de aculturação, incluindo aí a venda do mito do capitalismo e da prosperidade. Seja entre os que sucumbem ou dominam, o fato é que “tutto il mondo è paese”. Qto aos vícios, há sociedades mais permissivas, outras, intolerantes. Mas qdo a pátina da civilização se quebra e mostra a verdadeira cara, chegamos ao indivíduo, na sua forma nua e crua. E nisso, somos todos iguais. Um grande abraço. Luci

  5. Antonio Minoru Katayama @ 31 Jan, 2008 : 15:07
    Caro Renzo Nada posso acrescentar ao que o Silvio, Izabel e Luci comentaram com muita propriedade. Quero repetir aqui o que sempre falo para a minha Mãe, que neste ano completa 92 anos e passou por tudo aquilo que voce descreve: "Procure sempre se lembrar das coisas boas e esquecer as amargas. Assim voce poderá viver melhor a sua vida!" Minoru

  6. Sílvio Sano @ 9 Fev, 2008 : 13:16
    Renzo, mire-se no exemplo do Carlos Akira Kato (pela ordem: 1º Shindo Renmei, 2º "genkotsu")!

  7. Renzo Morishi-ta @ 9 Fev, 2008 : 15:51
    Silvio Sano, Você realmente é um nikkei mesmo, com comentários típicos de japoneses pela forma como diz: "mire-se no exemplo de fulano de tal..." Ou quando você se referiu aos meus comentários como sendo de revolta "explícita"... Eu acredito que não é revolta o termo certo. É um relato de fatos sem envolvimento emocional que estou fazendo sem sentimentos de revolta. Conheço esta mania japonesa de dar lições de moral, proferir sermões mas sem dar auxílio material.

  8. Sílvio Sano @ 9 Fev, 2008 : 16:37
    Muito bem, caro Renzo. Assim como vc retirou o seu texto "índios e japoneses" (que confirmo ter adorado), agradeceria se fizesse o mesmo com os meus comentários, pois retiro tb tudo que afirmei a seu respeito e deixo-o à vontade neste espaço, com as suas dores que nunca foram só suas. A propósito, lógico que sou nikkei... e principalmente, brasileiro, orgulhoso de poder interagir com tantas culturas diferentes num mesmo espaço.

  9. Adriano K. @ 10 Fev, 2008 : 06:51
    Sr. Morishita. Sou apenas um leitor insone, que tem lido muitas histórias aquí, todas interessantes, cada um no seu contexto histórico e social. Lí suas reflexões, e lhe confesso desde já que não compartilho com suas opiniões. No entanto, apreciei sua postura ao publicá-las, indiferentemente se tais reflexões suscitariam discordâncias ou não entre os leitores. Postura desejada em qualquer exercício democrático e uma boa motivação para ativar a nossa dialética. Não tratando-se de site de debates ou de recados interpessoais, creio que seja desejável que os leitores, com um pouco de bom senso, ética e civilidade, devam limitar-se apenas a deixar seus pareceres. Divergentes ou consensuais que sejam. Insistir com pretensa remissão do autor, e de suas opiniões, já seria deselegância pouco recomendável. A imprudência ou a inabilidade linguística de quem o faz, pode inconvenientemente sugerir uma prédica, o desejo de visibilidade, um inadequado paternalismo e portanto, uma pressuposta superioridade sobre o autor. Não aprecio prédicas, mas apenas discordâncias que respeitem o limite do outro, pois somos todos adultos.

  10. Adriano K. @ 10 Fev, 2008 : 10:07
    Sr. Morishita, creio que a prédica a que me referí não foi direcionado ao sr, mas ao infeliz comentário que chega até mesmo a envolver nome de terceiro, neste caso, um inocente perfil que nada tem a ver com a provocação do leitor. A falta de respeito não é sua, reafirmo. Abraços.

  11. Renzo Morishi-ta @ 10 Fev, 2008 : 10:09
    Acatando os comentários do Sr. Silvio Sano e Sr. Adriano K. que me disseram discordar de alguns textos e que podem suscitar divergências e discordâncias entre os leitores, retiro-os em nome da harmonia entre os membros da comunidade nikkei. Estou retirando alguns textos também que sugerem prédicas. Desejo de visibilidade como o Sr. Adriano K. diz eu não pretendo. O site é de história pessoal. Conto o que aconteceu na minha vida, o que de fato ocorreu na realidade, comigo e com os meus pais. Não é um site de histórias de ficção ou romance. Não posso mudar a história. Não posso voltar no tempo e mesmo que quisesse modificar os acontecimentos não seria possível, as dificuldades que meus pais passaram eram fatos, e os eventos já aconteceram de forma inexorável. Bem que eu gostaria de ter podido mudar a realidade dos meus pais. Bem que eu gostaria de ter tido uma vida mais confortável, de classe média, com uma casa normal com todos os cômodos, sala com fruteira em cima da mesa. Ter tido uma vida trivial de adolescente como a de outros colegas da adolescência. Acredito que suavizar a realidade pode torná-lo mais suportável porém não contribuiria para a mudança de atitude das pessoas que vivenciaram e para aquelas que provocaram dificuldade e sofrimento às outras. O que seria do Holocausto se não houvessem pessoas, historiadores, jornalistas, depoimentos pessoais, escritores que a denunciassem? Não se correria riscos novamente de perseguição às minorias étnicas? E mesmo assim não persistem ainda hoje tais perseguições?

  12. Adriano K. @ 10 Fev, 2008 : 10:15
    Releia o comentário e entenderá que a deselegância não foi sua, é o exato contrário. Apesar de divergente, respeito a sua postura e continuo a respeitá-la, ou o mundo seria apenas branco ou apenas preto. O que me pareceu uma evidente prédica é de quem envolve nome de terceiro numa frase que carrega todas as conotações paternalistas.

  13. Renzo Morishi-ta @ 10 Fev, 2008 : 10:21
    Uma opinião pessoal: uma grande contribuição do ocidente ao mundo é a democracia. Fato que não é comum nas sociedades do extremo oriente que prezam muito mais a harmonia entre as pessoas. Eu acho que a repressão de debates empobrece muito as discussões e a vida das pessoas e da sociedade.

  14. Renzo Morishi-ta @ 10 Fev, 2008 : 10:31
    Passo a republicar o meu texto "Japoneses e Indios" com o título "Eram os Índios, Japoneses?". Havia retirado por considerá-lo, este sim, um texto polêmico que poderia suscitar um mal-estar entre ocidentais e nikkeis.

  15. Moises Rodrigues @ 12 Fev, 2008 : 13:17
    Desculpe-me Dr.Renzo,mas você sabe que é a minoria desses brasileiros que são assim(não gostam de japoneses),ou você conheceu o brasil inteiro,conversou com um por um,para poder ficar com raiva dos seus compatriotas?Você ja sofreu tal tipo de preconceito?Ah,e todos nós sabemos que a grande maioria dos japoneses são inteligente,trabalhador e etc etc Né?????

  16. Renzo Morishi-ta @ 12 Fev, 2008 : 14:24
    Sr. Moises Rodrigues, Claro que não é a maioria. E quem disse que todos os descendentes de japoneses são inteligentes e trabalhadores?

  17. Ester Yamaguchi @ 23 Fev, 2008 : 09:09
    Sr Morishita, lí comovida os seus textos "As aventuras de ser sem-teto" e "A bicicleta azul atômica". Com todas as privações das quais passou(e eu o compreendo perfeitamente), eu o parabenizo pela conquista, a de se tornar um médico. Há tantos que ainda hoje gostariam de sê-lo, mas por razões ainda mais dramáticas que as nossas, não puderam atingir essa meta. Um abraço, Ester.

  18. Renato Yassuda @ 5 Mar, 2008 : 16:43
    Prezado sr. Morishita; Li todos os seus textos. Parabenizo por sua franqueza e coragem. Se o senhor me permite o direito de manifestar uma opinião, peço que não retire nenhum de seus textos muito menos se sinta inibido em manifestar seu ponto de vista. As dificuldades de vida relatadas e a maneira como sua família enfrentou e o senhor continua a enfrentar são louváveis e exemplares. Indiferente de raça ou religião. Parabéns.

  19. Mauro Kyotoku @ 25 Mar, 2008 : 08:43
    Prezado Dr. Morishita É uma dignificante história a sua, eu não imaginava que atualmente alguém pudesse ter a sua garra, a sua capacidade de improvisação e superação Guardadas as devidas proporções a primeira parte de sua a história equivale a saga de Sontoku Ninomiya (1787-1856). Para estudar ele fez um esforço descomunal. Jose Yamashiro, um conhecido jornalista Nipo-Brasileiro e um verdadeiro uchinanchu, conta esta parte vida de Sontoku na Revista Globo Rural de agôsto de 1990, vou reproduzir alguns trechos para ver se você se identifica. "... Quando contava com 16 anos de idade, o arrozal e outras culturas da família foram destruídos por uma arrasadora inundação. O pequeno terreno de pouco mais de dois hectares, coberto de areia e cascalho. tornou-se irrecuperável, colocando os Ninomiya em situação de miséria. A seguir morrem os pais, conhecidos pela sua honestidade e espírito caritativo, pois distribuíam o escasso arroz a gente necessitada da aldeia Kinjiro e seus dois irmãos menores tiveram que ficar sob proteção de parentes. Ele foi trabalhar com um tio. Além de labutar no amanho da terra, cortava lenha, fazia corda e sandália de palha de arroz(waraji) Apesar das árduas tarefas que executava do amanhecer ao anoitecer, Kinjirô acalentava um sonho: o de se instruir e tornar-se um homem culto. Aproveitava todos os momentos possíveis para estudar. Conta-se que quando não dispunha papel, treinava kanji na areia que enchia numa pequena bacia. O tio não aprovava esse empenho do sobrinho nos estudos. - Lavrador não precisa estudar. Gastar óleo de lampião para isso é desperdício, censurava. Por índole esforçado e obstinado, Kinjirô arranjou sementes de colza com um amigo. Plantou-as e no ano seguinte colheu grãos em quantidade suficiente para obter o óleo necessário à iluminação indispensável para estudar a noite. “ ...... O artigo do jornalista José Yamashiro não termina aí, Sontoku Ninomiya vira um cientista agrícola e desenvolve métodos de recuperação de terras e torna-se conhecido no Japão nacionalmente, inclusive é chamado pelo próprio Xogum. Segundo a wikipedia (http://en.wikipedia.org/wiki/Ninomiya_Sontoku) ele torna-se filosofo e economista. Se fosse Hollywood sua capacidade de superação, inclusive individual, das dificuldades daria um filme. O que faz a nossa cinegrafista maior Sra. Tisuka Yamazaki, que não escreveu um roteiro. Apesar de todos estes elogios você demonstra ressentimentos que imagino não fazerem parte de sua índole, depois comentarei sobre isso, aguarde, mas por hoje encerro reiterando os parabéns pelo sua luta e esforço.

  20. Graziela @ 13 Mai, 2008 : 13:09
    Oi Renzo, tudo bem? Obrigada pelo elogio ao meu texto, tudo oque escrevi vem do coração, realmente sempre tive grande admiração pelo povo japonês. Lí o seu texto e achei a história muito bonita, o fato de se preocupar em ajudar a sua mãe me emocionou muito e trouxe lembranças muito boas do meu pai. Vou te contar um segredo, mas não é para rir: eu com 28 anos não sei andar de bicicleta. Já sonhei muitas vezes que estava andando e que era uma delícia, rsrsrs!!! Ví no seu perfil que você é de Campinas, de 15 em 15 dias passo pela sua Cidade, pois como trabalho e estudo e meu esposo mora no Japão, meu filho está temporariamente com a minha sogra em Rio Claro e sempre que viajo para lá passo pela sua Cidade. Como pode ver a minha luta continua... Bem, obrigada por dispor do seu tempo para ler e comentar o meu texto e foi um prazer trocar histórias de vida com você. Beijo e suceso!

  21. Graziela @ 13 Mai, 2008 : 15:35
    Que vida lascada heim, rsrsrs!!! Sabe que estou lendo seus textos com muita atenção e de tudo o que você escreve acabo vendo um pouco da minha imagem. Fiz um curso de Auxiliar de Enfermagem (meu sonho era a medicina) mas infelizmente nunca tive condições para ir tão longe. Você conta dificuldades que enfrentou para alcançar seus objetivos muito parecidas com situaçõs que vivenciei ao longo dos meus 28 anos. Parabéns pela garra e força de vontade!

  22. Graziela @ 16 Mai, 2008 : 19:37
    ...Sabe que tenho muitas dúvidas se serei uma boa Jornalista (esses dias brinquei com o meu marido, disse que estou mais para Jornaleira que para Jornalista, rsrsrs). Trabalho em uma biblioteca, onde todos os dias tenho que fazer triagem de mais ou menos uns 40 jornais, portanto, se tiver que optar por ser uma jornaleira, estou bem preparada. Meu sonho era a Medicina para poder ajudar as pessoas. Na época em que fiz o estágio de Enfermagem me sentia realizada quando via um paciente que chegou no hospital mal sair bem. Achei engraçado vc dizer que sou sensível para essas profissões, parece que com o meu texto consegui passar (pelo menos para você, minhas características), realmente me deixo envolver nos acontecimentos, na época do estágio me apeguei muito a um paciente, queria tanto o bem dele que se pudesse o levaria para minha casa, fazia questão de me dedicar para que ele se recuperasse logo. No meu último dia de estágio ele teve alta, mas quando chegou na porta do hospital teve uma convulsão e foi para a UTI, aquele acontecimento me deixou mal por muito tempo. Tiveram muitos casos que me abalaram profundamente, mas sentia necessidade em ajudar essas pessoas, por fim, acabou não dando certo, a escola em que fiz o Curso não tinha registo no Coren, então tudo o que aprendi não serviu para nada. De repente, como você mesmo disse "isso não era para mim". Sou da opinião de que Deus sabe o que faz. Na época em que descobri que não poderia exercer a profissão pela falta do registro, fiquei furiosa, pois havia pedido para me mandarem embora do meu primeiro emprego e o dinheiro da recisão do contrato usei para pagar o curso, conclusão, nem curso e nem emprego. Meus pais nunca tiveram condições para me ajudar, muitas vezes chegava tarde em casa, morrendo de fome e não tinha nem um prato de "arroz puro" para enganar o estômago, acabava dormindo com a sensação de ter um buraco na barriga. Por fim, consegui um emprego no Sesc no setor de alimentação (terceirizado) e no Clube Sírio Libanês de garçonete, onde trabalhei por uns 4 anos. Até que um dia criei coragem e fui pedir para a Coordenadora da Alimentação uma oportunidade para fazer a prova para entrar pro Sesc, passei pelo processo todo e hoje trabalho na parte da Programação, vindo de onde vim é um grande avanço, mas não paro por aqui, continuo estudando e batalhando para alcançar meus objetivos e tenho certeza que um dia chegarei lá.

  23. graziela @ 16 Mai, 2008 : 19:41
    Nossa, depois dessa minha biografia você pensará duas vezes antes de dizer que meus textos não são cansativos, rsrsrs!! Mas você conseguiu me entender com tanta clareza que acabei tendo vontade de contar um pouco mais. Quando digo que você passou por situações parecidas com o que vivi ao longo dos meus 28 anos, não é porque acho que 28 seja muito, mas já comi o pão que o diabo amassou, na verdade, teve dias que se eu tivesse esse tal pão para comer dormiria feliz, mas pão na casa dos meus pais era luxo. O que quero dizer é que com essa idade, já tenho muita história para contar... Renzo, vou parar por aqui se não vou acabar escrevendo um livro. Obrigada por ler o meu texto e tudo de bom para você e sua família. Ps: Dividi o comentário em duas partes porque ultrapassou os 3000 carácteres e não consegui enviá-lo em um só.

  24. Rita de Cássia Arruda @ 25 Mai, 2008 : 21:28
    Prezado Renzo: Li atentamente seus relatos e apesar da pontinha de mágoa e tristeza, aqui e ali reveladas, o que emerge de sua história pessoal é um sujeito determinado e batalhador, que não se deixou abater pelas adversidades da vida e conquistou para si próprio respeito e posição social. Até fiquei tentada a usar a expressão “lugar ao sol”, mas essa metáfora muito provavelmente apenas esvaziaria o verdadeiro sentido da palavra conquista. Creio mesmo que você pode se considerar um vencedor. Gostei da homenagem que você prestou aos amigos que lhe estenderam a mão e que de alguma forma o acolheram quando mais precisava. No final das contas, são essas as lembranças que valem a pena ser guardadas; sem que com isso deva-se “apagar” todo um passado de sofrimento, pois como você mesmo disse aqui, não dá para mudar o curso da história. Conheço pessoas que também enfrentaram dificuldades enormes e combaliram, ao longo do caminho, sem ânimo ou condições reais de reação. Assim como também convivo com gente de uma alegria contagiante, no que pesem todos os revezes enfrentados, que não foram poucos, hoje vitoriosa, como você. Sucesso, sempre, Renzo. Um abraço cordial.

Comente



Todo mundo tem uma história para contar. Cadastre-se e conte a sua. Crie a árvore genealógica da sua família.

Árvore genealógica

Nenhuma árvore.

Histórias

  • Nenhuma história.

Vídeos

  • Nenhum vídeo.

| mais fotos » Galeria de fotos

Áudios

  • Nenhum áudio.
 

Conheça mais histórias

mais perfis » Com o mesmo sobrenome

mais perfis » Com a mesma Província de origem

 

 

As opiniões emitidas nesta página são de responsabilidade do participante e não refletem necessariamente a opinião da Editora Abril


 
Este projeto tem a parceria da Associação para a Comemoração do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil

Sobre o Projeto | Cadastro | Fale Conosco | Divulgação |Termo de uso | Política de privacidade | Associação | Expediente Copyright © 2007/08/09 MHIJB - Todos os direitos reservados