Rebatedor da Waseda, durante disputa contra a Keio no estádio do Bom Retiro, em São Paulo
Tirei a manhã de ontem para assistir beisebol. Não os de Pequim, mas no estádio Mie Nishi, no bairro do Bom Retiro, em São Paulo. Fui ver as disputas entre as universidades japonesas Keio e Waseda, que vieram ao Brasil e, desde o dia 9, vinham se apresentando em diferentes cidades. As equipes jogaram entre elas e também com a seleção brasileira adulta de beisebol.
Não choveu, e o estádio estava lotado. As universidades Keio e Waseda são rivais tradicionais no Japão e protagonizam clássicas disputas por lá. Esse jogos são chamados de Sokeisen (“So” de um dos ideogramas da Waseda, “kei” de Keio e “sen” de batalha), e foi esse clássico que eles vieram mostrar aqui. O placar de ontem foi 7 a 3 para a Waseda, que também ganhou a segunda disputa do dia, contra a seleção adulta brasileira, por 2 a 1.
Confesso que já assisti a alguns jogos de beisebol, ao vivo e pela TV, e os acho um pouco lentos, embora, claro, a coisa não seja bem por aí. Muita gente gosta e pratica o esporte, desde criança. Vi isso quando saí para tomar um sorvete, atrás do campo. Quatro crianças, cada uma com um livreto sobre o evento na mão, cercaram um membro da seleção brasileira. Queriam saber se ele estava ali, nas fotos dos jogadores do livrinho. Estava. “Ah, então assina!”. Elas estavam caçando autógrafos dos jogadores. Fofo, não? Uma delas vestia uniforme de beisebol. Pelo tamanho, devia ser da categoria pré-infantil (de 8 a 10 anos). Muitas outras crianças, com diferentes uniformes, estavam por lá, vendo os jogos e se divertindo.
Segundo a Confederação Brasileira de Beisebol e Softbol, existem hoje 120 equipes em 13 estados, a maioria em São Paulo (70), e mais de 25 mil pessoas praticam o esporte, que já enviou jogadores para times profissionais fora do país.
Os praticantes devem ganhar em breve mais instalações para esse esporte. O estádio Mie Nishi, recém-reformado, faz parte agora de um projeto da prefeitura para um Conjunto Esportivo e Cultural Brasil-Japão, em andamento (já falamos sobre isso aqui). Ontem, durante os discursos de abertura dos jogos, avisaram que o centro deve ficar pronto até o final do ano.
Tem mais beisebol a caminho. No dia 28 de agosto, será a vez de a Seleção de Beisebol Colegial Japonesa (koko yakyu) vir ao Brasil para uma série de jogos contra a seleção brasileira juvenil (de 17 e 18 anos), que serão realizados em São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul. Em outubro, o campeão semiprofissional de beisebol jpaponês (toshi-taiko) também virá para jogar contra a seleção brasileira adulta, em Paraná e São Paulo.