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Feira de alimentos »

 
6 Mar, 2008

O sonho virou pesadelo

Reprodução

“Quero abrir um negócio próprio.” Esta é a frase que mais se ouve entre os trabalhadores brasileiros que estão no Japão. A grande maioria ainda tem esse sonho, mas são poucos os que realmente o realizam.

Muitos destes com espírito empreendedor montaram sua empresa aqui mesmo no arquipélago. Alguns cresceram rápido. Outros ainda tocam sua lojinha e não vêem perspectiva de crescimento. Entre os grandes, um deles foi notícia em toda a mídia (japonesa e brasileira) na semana passada e nesta também. Edson Massatoshi Tamada, 35, tem hoje o terceiro maior débito da província de Shizuoka.

Proprietário do grupo IB Fox, formado por 17 empresas, Tamada quebra a cabeça para ver como vai pagar os 6,2 bilhões de ienes (nem sei fazer as contas de quanto é em reais. Alguém me ajuda?) que deve para cerca de 80 empresas. No dia 3 deste mês ele fez uma reunião com os credores e pediu paciência. Também prometeu apresentar um projeto de reestruturação até julho. Se a fórmula do saneamento financeiro caminhar bem, a devolução das dívidas pode demorar até 15 anos.

Na reunião, o empresário brasileiro, bem ao estilo japonês, pediu desculpas formais e explicou que as falhas na administração derivaram do excesso de investimentos, fora da original área de atuação (importação e fabricação de alimentos para os brasileiros) e da aplicação em setores de juros elevados. É claro, muitos japoneses, principalmente o Banco Shizuoka, manifestaram insegurança na capacidade do nikkei tirar os negócios da lama.

Bem, o grande impacto disto tudo é que muitos empresários brasileiros vão ser prejudicados a partir de agora. Afinal, depois de um rombo destes, quem é que vai querer fazer empréstimos altos para este tipo de negócios (voltado ao mercado brasileiro no Japão)?

 
Em tempo: para quem não conhece, o grupo IB Fox possui uma importadora de alimentos, uma distribuidora, uma fábrica de embutidos (eles embalam aqui a marca Cerati e fazem outros produtos, como salsichas e linguiças), academia, lojas de produtos etc.

Postado por Ewerthon Tobace | 26 comentários

Comentários

  1. Celina @ 7 Mar, 2008 : 00:34
    Boa noite Ewerthon! Essa dívida de bilhões de ienes tem tantos zeros à direita que fiquei atrapalhada. Tentei usar o conversor de moedas do Banco Central (http://www5.bcb.gov.br/?CONVMOEDA) e, aparentemente, a dívida vale um primeiro lugar no Big Brother Brasil: Um Milhão de Reais! Por favor, me corrijam se errei, se sobraram ou faltaram zeros na conversão! O que importa é que infelizmente esse rombo vai aumentar ainda mais a desconfiança dos investidores japoneses nos projetos dos empreendedores brasileiros.

  2. 留学生 @ 7 Mar, 2008 : 01:27
    R$101.411.742 eh a divida em Reais do senhor citado na reportagem, se o valor fornecido em Ienes estiver correto.

  3. Paulo (Plurality) @ 7 Mar, 2008 : 07:30
    Pois é. Com as linhas de crédito fechadas, vai ser um verdadeiro milagre essa reestruturação. Infelizmente, os pequenos e médios empresários sofrerão mais, principalmente os que têm pouco tempo de histórico contábil positivo e os que dependem de financiamento governamental.

  4. Marcio Miyagi @ 7 Mar, 2008 : 12:37
    Realmente esse fato ajuda a deteriorar ainda mais a jah arranhada imagem da comunidade brasileira. Ewerthon, a cada dia fico mais fa do seu blog. Parabens.

  5. Karina Almeida @ 8 Mar, 2008 : 09:28
    a fama da ibfox na comunidade brasileira daqui eh que a empresa cresceu tao rapido (foi um crescimento tremendo em pouquissimo tempo) porque recebia uma "ajudinha" da mafia japonesa. e dizem tambem que a mafia eh assim: injeta dinheiro enquanto precisa lava-lo, depois larga o dono la sozinho e eh aih que o negocio quebra... eu, sinceramente, nao tenho ideia se essa historia eh verdadeira ou nao. mas eh o que sempre ouvi por aqui.

  6. 留学生 @ 8 Mar, 2008 : 11:22
    Faz sentido, Karina.

  7. Kenji @ 8 Mar, 2008 : 12:39
    Putz! Mais um canarinho queimando o nosso filme! TENHA SANTA PACIÊNCIA!!!

  8. ricardo y @ 9 Mar, 2008 : 00:16
    Não estou por dentro do que aconteceu, mas acredito que o Sr Tamada, da empresa em questão, não seja um ignorante ou alguém que esteja querendo jogar lama na nossa imagem; muito pelo contrário. Morei um bom tempo em Hamamatsu e vi que nos beneficiamos muito da ambição de pessoas assim. No geral, as lojas brasileiras hoje não lembram mais os barracos de até uma década atrás - são limpas, bem iluminadas, organizadas, oferecem muito bons serviços e opções de empregos a inúmeros indivíduos com vontade de desenvolver o seu potencial e alimentar uma perspectiva além das linhas de produção. Não se abre mais uma portinha aqui com mil yenes, mas com milhões e milhões - à riscos proporcionais. O resultado disso é que hoje poucos brasileiros se atrevem a dizer que sentem saudades dos produtos da terrinha (Quem trabalha com histórias de brasileiros aqui sabe). Em várias cidades, acorda-se com uma xícara de café Pilão e um pão com Doriana ("com sal" ou "sem sal"). à noite, assistimos lançamentos em DVDs legendados em português, ligamos a tv para ver o Jornal Nacional ou lemos uma revista/jornal com os assuntos que nos interessam - em português, claro. Temos praticamente tudo e, de certa forma, vivemos ao mesmo tempo os dois países, em grande parte graças à pessoas como estas que sempre estiveram aí, dando a cara pra bater. Particularmente, não sinto a mínima vontade de dar o tapa. Valeu Ewerthon por trazer à nós mais este importantíssimo tópico. Abs saudosos.

  9. 留学生 @ 9 Mar, 2008 : 00:39
    Impressionante!! Quao benevolente sao essas pessoas, nao? Claro que eles abriram seus negocios no Japao com o intuito de ajudar e nao de ter lucro, talvez seja por isso que alguns quebrem. Imaginem quantos cafes Pilao e Dorianas (com sal e sem sal) nao foram doadas ou vendidas abaixo do preco de mercado pelo bem estar dos brasileiros, nao eh mesmo?

  10. ricardo y @ 9 Mar, 2008 : 01:21
    Caro senhor Estudante, tudo tem um benefício, um preço e uma concorrência. Se uma pessoa deseja comprar, é feio vender? Cada um sabe de si e da sua contribuição. E quanto à idealismos, que tenham fundamento e sejam para melhorar, porque de ladainha "intelectual" o mundo já está bem servido. Estudar é essiencial e o estudante deve ser muito respeitado e incentivado. Mas cá entre nós, estudar por si só não leva à nada porque para que as coisas aconteçam, é preciso também ir à prática. p.s. Em benefíco à seriedade do blog, é a última vez que me refiro aqui ao senhor Estudante acima.

  11. 留学生 @ 9 Mar, 2008 : 01:31
    Nao entendi mutio bem qual foi seu ponto aqui, mas eh melhor parar por ai mesmo, senao vao acabar seus argumentos e ai voce vai ter de apelar. Gostaria de parabeniza-lo pelo seu sentido agucado de auto-critica em "...ladainha "intelectual" o mundo já está bem servido..." xD

  12. jp @ 9 Mar, 2008 : 02:45
    Já não tem mais "graça" sua participação neste blog sr. estudante.

  13. Claudia Yoscimoto @ 9 Mar, 2008 : 22:21
    Não sei o que aconteceu neste caso, mas certamente houve falta de planejamento e má administração, independente de quaisquer outros fatores. De qualquer modo, a impressão que tenho hoje é de que está cada vez mais difícil para o dekassegui saber o que fazer, pois se até aqui as coisas não estão fáceis, imagine no Brasil... A diferença é que aqui pelo menos tem emprego e as pessoas podem viver com dignidade. Com muito esforço ainda dá para ajuntar um pouco, mas não chega nem perto do que era anos atrás (embora eu não tenha vivenciado essa época).

  14. Tokyo Insider @ 10 Mar, 2008 : 06:19
    Essa conversa de que o Sr.Tamada iria quebrar já estava rolando no meio empresarial há uns 5 anos. Finalmente aconteceu o previsto. Muitos diziam "sugoi, sugoi!" ao "império" construído pelo cidadão em questão. Mas, convenhamos, com grana fácil na mão, qualquer um conseguiria fazer o que ele fez. Agora, pouquíssimos conseguiriam manter o que foi feito sem injeção de grana. A máscara caiu e, também, o "império". É o que é...

  15. Emerson Medina @ 10 Mar, 2008 : 19:31
    Um site de notícias que não sei se posso divulgar o nome está com uma séria de matérias sobre como os dekasseguis estão preferindo guardar parte da renda em uma conta no Brasil e como isso acaba resultando em uma poupança para investimentos futuros no nosso País. Também existem os bons cases de uso consciente do dinheiro ganho no Japão.

  16. Afi @ 10 Mar, 2008 : 19:37
    Post polémico é sempre interessante.

  17. Analista de Credito @ 12 Mar, 2008 : 11:23
    Não sei se no Japão, os bancos e agências de fomento à indústria e comércio fazem discriminação por origem. Aqui no Brasil, considerar a nacionalidade ou a ascendência do investidor na hora de ceder crédito é crime de RACISMO. Por exemplo, nenhum banco pode emprestar mais dinheiro a um negro ou nordestino por serem considerados bons pagadores, assim como não pode negar crédito a um judeu ou a um japonês, entenderam? Banco empresta dinheiro pra quem oferece garantias (imóveis e outros ativos) e apresenta um bom planejamento de negócios. * * * Esse caso não parece ter sido o caso de um player ingênuo que foi surpreendido pela concorrência ou pela instabilidade de mercados. Seja no Japão ou no Brasil, empresários perdulários quebram e eu não tenho dó deles e nem dos bancos credores (que calculam os riscos e se protegem). E esses ganaciosos empresários nunca saem desamparados, eles não são presos e eles geralmente voltam aos negócios depois de uns anos. Sofrem muito mais os empregados e os pequenos credores.

  18. Thomas Suzuki @ 12 Mar, 2008 : 11:27
    Novamente... pra que generalizar o lado ruim dos brasileiros no Japão? Eu sou mais o Miyagi-san! Pequeno-GRANDE empreendedor brasileiro, ético e dedicado. Miyagi-san pra "Empresário do Ano"!!! Gambare!

  19. Tokyo Insider @ 12 Mar, 2008 : 21:47
    O Sr. Tamada nunca se preocupou em sanar suas dívidas. SEMPRE ele se utilizou de recursos de terceiros para investir em sua fábricas. Demorou quase 1 ano para que eu recebesse 200.000 ienes. Outro importador demorou 5 anos para receber 10 milhoes de ienes...e assim ia. Enquanto seu grupo afundava em dívidas, ele estava mais preocupado em tirar brevê para pilotar avião, em Tokyo.

  20. 留学生 @ 14 Mar, 2008 : 00:39
    O que eh isso!? Que pessoal mais severo! Por que criticam assim o Sr. Tamada? Ja nao leram que eh gracas a empreendedores como ele que ha brasileiros que tomam Cafe Pilao e comem Doriana com sal ou sem sal todas as manhas aqui no Japao? Nao sabem que eh gracas a empreendedores benevolentes como ele que ha brasileiros que podem ler noticias que lhes interessam e em portugues, claro. Sim, pois o que acontece a suas voltas no Japao e esta escrito em japones, nao deve de interessar. Gracas a homens como o Sr. Tamada, alguns conterraneos podem viver comodamente dentro de uma bolha brasileira no Japao e, ao mesmo tempo, terem a ilusao de viverem dois paises. Nao sejam tao severos com homens dessa sorte. Homens que, logicamente, nao pensaram em apenas atender a demanda de um publico com poder de compra elevado. Pensaram, sem duvida, no bem estar dos patricios. Se houvesse uma comunidade brasileira tao grande assim na Somalia ou no Haiti, sem duvida, homens como ele ja teriam levado os produtos da nossa terrinha para la, nao importando a situacao economica deficitaria por la. Se quebrar, quebrou. Pelo bem estar dos patricios, quebra-se ate mesmo em um pais desenvolvido, nao eh mesmo? Voces sao muito maldosos. Nao merecem homens bons como esse.

  21. Fabio @ 2 Mai, 2008 : 00:55
    Preciso concordar com esse último comentário. Realmente, precisamos entender que no caso da IBFox, foi a má administração e sabe sei lá eu, que mais que os levou à atual situação. Infelzimente, negócios sempre foram assim. Quem não está preparado, dança. E a história da IBFox é muito maior do que sabemos e um dia saberemos, tem muito mais ogro do que princesa aí. Abram os olhos antes de investir em projetos milionários! Trabalho diretamente ligado a esse comércio e todos estão, assim como acontece em qualquer lugar do mundo, sobreviver num mercado restrito e preconceituoso, que é o japonês.

  22. Réporter de Barretos @ 7 Jul, 2008 : 21:31
    Karina, o seu post acusando o Tamada de ser parte da ¨mãfia¨ foi de uma levianidade perigosa. Eu acompanho a trajetória do Edson Masatoshi Tamada desde 1993 quando ele era açougueiro em um supermercado chamado 777 que ficava em Sanarudai. Ele teve os seus méritos, e com a cara e a coragem conseguiu que sua firma atingisse o sucesso em pouco tempo. O problema do Tamada foi o de confiar em pessoas que não valem nenhum iene furado. Brasileiros arrogantes que não tinham nada e que levaram ele para o buraco. Uma empresa é feita de gente, e se a qualidade dessa gente, principalmente os executivos , for baixa, o resultado só pode ser o fracasso. Logo teremos novidade nesse caso da IBFOX

  23. Conhecimento de causa @ 14 Jul, 2008 : 12:08
    O Sr Tamada era uma pessoa comum até que a ganância tomou conta dele. Conheço vários comerciantes do Japão que foram ludibriados por ele com propostas de compra de suas lojas e não receberam o pagamento e também por concorrência desleal pois com o seu maqueado "poder financeiro", fazia de tudo para quebrar quem atrapalhava o seu caminho . Pessoas que trabalham com sacrifício, organização e responsabilidade continuam com seus negócios a anos, trazendo para nós dekasseguis os nossos "cafés Pilão" e margarina Doriana matinais. Essas pessoas sim é que devem ser valorizadas e não esses gananciosos que pensam apenas em sí próprios, não imaginando que suas atitudes irresponsáveis podem comprometer a imagem de toda uma comunidade que batalha com seriedade e responsabilidade.

  24. scoobdoo @ 16 Ago, 2008 : 19:56
    esse cara come frango e arrota perú...

  25. ASPONE @ 20 Ago, 2008 : 23:52
    o que eu ouvi é que ele entupia as lojas de pilão e doriana e punha um salame no meio.ele até montou um atacadão para quebrar o melhor cliente dele pra depois comprar sua loja baratinho.esse negócio de fechar o mercado não tá certo, afinal o sol nasceu pra todos.eu acho que a ganância falou mais alto e só deu conta que estava fazendo concorrencia a si próprio quando os bancos lhe cortaram os empréstimos. agora os brasileiros fikam se pilão e doriana, sobrando só o salame.

  26. Descompromissado @ 16 Set, 2008 : 23:15
    Que horas são?!

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Perfil

Ewerthon Tobace, jornalista, 31 anos. Um dia, meu avô resolveu enfrentar o desconhecido. Chegou ao Brasil de mala e cuia, sem falar a língua. Agora, faço o caminho inverso e, a cada dia, descubro os fascínios da ‘terra do sol nascente’. Moro no Japão desde 2001 e trabalho na mídia étnica com foco na comunidade brasileira.
 



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